Sem estradas, use drones!

Um novo tipo de sistema de transporte que usa veículos aéreos não-tripulados, os drones,  para entregar medicamentos, alimentos, o que for necessário. Essa é a proposta de uma start-up dos Estados Unidos.

Um novo tipo de sistema de transporte que usa veículos aéreos não-tripulados, os drones, para entregar medicamentos, alimentos e o que mais for necessário. Essa é a proposta de uma start-up dos Estados Unidos. Imagem: Matternet

Imagine esta situação:

Você está no meio do nada, em algum país da África onde a infraestrutura das estradas é extremamente precária. De repente, um mal súbito lhe acomete e você é logo encaminhado para um pequeno hospital, num vilarejo próximo. Sua situação é grave e você precisa (o quanto antes) de um medicamento bastante específico, cuja disponibilidade não é imediata. O fármaco encontra-se num posto médico, na cidade mais próxima, a cerca de 15 quilômetros (km) de onde você está. Chove horrores e, por conta das condições das estradas, nem um trator é capaz de trafegar sem atolar na lama fofa que se formou. Estão todos isolados! Resumo da ópera: você morre!

Trágico, não? Pois é. Mais trágico é saber que bilhões de pessoas, de fato, vivem em condições semelhantes, ou até piores, a essa. Mas se o transporte terrestre já não é mais viável em regiões remotas, por que, então, não usar o transporte aéreo? Caro? Não para uma equipe da start-up Matternet, dos Estados Unidos.

Com base num projeto inicialmente desenvolvido em 2011 na Universidade da Singularidade, no Vale do Silício, Califórnia, eles estão convencidos de que, num futuro próximo, será possível implementar uma frota de pequenos drones – também conhecidos como veículos aéreos não tripulados (vants) – que poderiam entregar medicamentos e outros itens de primeiros socorros em áreas isoladas; uma alternativa mais barata e eficiente do que uma rede de rodovias, eles dizem.

A proposta é audaciosa: assim como a Internet revolucionou o transporte de dados online, eles acreditam que uma rede de drones – chamada “matternet” – poderia fazer o mesmo para o transporte de itens de primeiro socorros, fármacos etc. Para isso, seria necessária a instalação de uma rede de estações (check points), separadas por 10 km. Os drones, capazes de carregar encomendas de até 2 quilogramas, voariam entre elas numa velocidade capaz de fazer o trajeto de uma base a outra em cerca de 15 minutos, isso sem que tenham de carregar ou trocar suas baterias.

O projeto de instalação de 50 estações e 150 drones, o que cobriria uma extensão de aproximadamente 500km, eles dizem, custaria US$900 mil. Depois disso, cada viagem feita por cada drone custaria apenas 24 centavos de dólar. Apenas para se ter uma ideia, a construção de uma rodovia de 2km de mão única custaria mais ou menos US$1 milhão.

A empresa já testou alguns de seus protótipos no Haiti e na República Dominicana em agosto e setembro do ano passado. Na ocasião, eu falei com Andreas Raptopoulos, um dos fundadores da start-up, que disse que eles “levaram a campo três drones e os testaram no ar em áreas urbanas e rurais de ambos os países sob o comando de um operador à distância”. Todos os testes foram bem sucedidos. “Mas ainda precisamos melhorar o sistema de navegação autônoma, bem como assegurar sua segurança. Vai levar cerca de 12 a 18 meses até resolvermos isso antes de começarmos a pensar em sua aplicação comercial e humanitária”, ele disse.

A ideia vem cada vez mais ganhando a atenção da mídia internacional. Eu mesmo já escrevi sobre isso há alguns meses (veja os links no final deste post). Em junho,  Andreas foi o palestrante de um dos TED Talks, aqueles ciclo de conferências destinadas à disseminação de ideias (ou das ideias que merecem ser disseminadas, como o próprio slogan diz). Nela, Raptopoulos fala mais sobre a “matternet”. Confira o vídeo, em inglês.

Leia mais:

- Idea for supply chains of flying drones takes off
- Drones begin to show their development promise

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Sobre Rodrigo de Oliveira Andrade

Science Journalist
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2 respostas para Sem estradas, use drones!

  1. Vinícius Bardó disse:

    Esse “Chove Horrores” foi boa. hahaha

  2. Julio Andrade Nunes disse:

    Julio Nunes

    5 de dezembro de 2013

    Realmente, com uma chuvarada a coisa fica complicada pois a visibilidade não fica nada boa.
    A gente que lida com este tipo de equipamento, sabe que na ventania forte e numa chuvarada, mesmo com GPS, a coisa não é nada fácil mas, tudo é possível de ser resolvido e, como não é tripulado, o que pode acontecer é cair e ter que enviar outro.

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